Ironia romântica e contemporaneidade: o jogo ficção e realidade em “Uma simples flor nos teus cabelos claros”, de José Cardoso Pires
DOI:
https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n56a1437Palavras-chave:
Ironia romântica, Ficção portuguesa contemporânea, Modernidade, RomantismoResumo
Pretendi, no presente trabalho, analisar o conto “Uma simples flor nos teus cabelos claros”, do escritor português contemporâneo José Cardoso Pires, propondo uma aproximação entre o modo como a referida narrativa se organiza e o conceito romântico de ironia romântica – enfatizando aspectos importantes como a construção do efeito de sentido de simultaneidade e do jogo ambíguo ficção e realidade. Para tanto, revisitei o conceito de ironia na Modernidade, trazendo para a minha reflexão um pouco da construção narrativa do conto “A dama do pé-de-cabra”, do escritor português Alexandre Herculano, e, muito de passagem – apenas no que diz respeito ao modo como os narradores fazem uso da ironia – o romance Dom Casmurro, de Machado de Assis, e, ainda, Pedro e Paula, do escritor português Helder Macedo. Na segunda parte do artigo, analisei o referido conto, de José Cardoso Pires, objetivando revisitar e ampliar, por meio dele, o conceito de ironia romântica, bem como compreender a que tipo de pensamento e de produção de conhecimento a ironia se relaciona na Modernidade e no momento estético-cultural da Contemporaneidade, quando a ironia romântica se associa também à tessitura de narrativas avessas às grandes narrativas e aos relatos totalizantes.
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