Mon corps est ma maison : une visite au roman A gorda, d'Isabela Figueiredo
DOI :
https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n56a1443Mots-clés :
Normes de beauté féminines, Intersectionnalité, Littérature portugaise, Isabela FigueiredoRésumé
Cet article propose une analyse du roman *A Gorda* (La Grosse Femme) de l'écrivaine portugaise Isabela Figueiredo, paru en 2016. Suivant la structure même du texte, les pièces de la maison de la protagoniste servent de fil conducteur pour comprendre un corps et ce qu'il représente : un corps obèse qui fait d'elle une victime de l'oppression exercée par un idéal de beauté quasi inaccessible dans une société grossophobe et excluante. Nous mettons en perspective les expériences décrites dans le récit avec les discours qui construisent un imaginaire négatif à l'égard de celles et ceux qui s'écartent de cet idéal, en nous appuyant sur les travaux des théoriciens Georges Vigarello (*Les Métamorphoses de la grosse*), Naomi Wolf (*Le Mythe de la beauté*) et Silvia Federici (*Caliban et la Sorcière*). Parce que les éléments qui dévalorisent l'individu doivent être appréhendés dans leur ensemble et non isolément, et compte tenu du concept d'intersectionnalité, nous prenons en considération le genre et le statut de « revenante » du personnage, puisqu'il s'agit d'une Portugaise née en Afrique qui « retourne » dans la métropole en raison de l'indépendance imminente du Mozambique. Les travaux de Patricia Hill Collins, Eduardo Lourenço et Jorge da Silveira, entre autres, contribuent à l'analyse de ces aspects.
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