Le 25 avril et le choc des utopies dans le domaine culturel : réinterpréter le passé pour projeter l'avenir

Auteurs

DOI :

https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n55a1419

Mots-clés :

Deixei meu coração em África, O último ano em Luanda, Actualisation de l’utopie, Crise civilisationnelle, Littérature portugaise

Résumé

L’objectif du présent article est d’analyser deux romans contemporains : Deixei meu coração em África, publié par Manuel Arouca en 2005, et O último ano em Luanda, publié par Tiago Rebelo en 2008. Ces deux œuvres, issues d’un vaste corpus de romans de style similaire publiés depuis les années 2000, sont représentatives, dans le champ culturel, du discours de l’extrême droite portugaise visant à une réhabilitation élogieuse du passé colonial et salazariste. L’article établit une corrélation entre ce discours culturel et son pendant dans le domaine de la politique partisane contemporaine, en tant que symptôme d’un panorama de crise civilisationnelle où s’exprime une lutte pour les futurs possibles, une actualisation des utopies. Dans cette perspective, le 25 avril est représenté comme une déviation du véritable cours de l’histoire nationale, rééditant certains des mythes fondateurs de l’idéologie salazariste, qui exigeraient une correction dans le présent en vue de la construction d’un avenir à nouveau idyllique. L’analyse proposée s’appuie sur des théoriciens tels que Fernando Rosas, pour réfléchir au point de vue historique de l’État Nouveau ; Silvio Renato Jorge et Edward Said, pour discuter de la persistance d’un imaginaire impérial ; ainsi qu’António Pedro Pita et Theodor Adorno, entre autres, pour interroger les rapports contemporains à la crise civilisationnelle du XXe siècle.

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Bibliographies de l'auteur

Daniel Laks, Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

É bolsista PQ2 do CNPq, professor adjunto e professor do quadro efetivo do Programa de Pós-Graduação em Literatura na Universidade Federal de São Carlos. Possui doutorado pelo Programa de Pós-Graduação em Literatura Cultura e Contemporaneidade da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) com período sanduíche de doze meses na Universidade de Coimbra (2016). Possui mestrado em Letras pela PUC-Rio (2011). Atualmente, dedica-se a temas como: Ecos coloniais na literatura portuguesa contemporânea, trocas culturais em espaços de língua portuguesa.

Nathália Souza Martins de Oliveira, SEPAI

É psicanalista. Membro da Coordenação de Extensão do SEPAI. Associada ao Fórum do Campo Lacaniano (RM C). Possui graduação em Psicologia – IBMR (2018), com ênfase em Psicanálise e Psicodiagnóstico. Especialização em Psicanálise e Saúde Metal – SEPAI (2023). Formação em Psicanálise pelo Corpo Freudiano – RJ.

Références

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AROUCA, Manuel. Deixei meu coração em África. Amadora: Oficina do livro, 2005.

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PITA, António Pedro. “Mudar a vida” precisa da arte?. Biblos, Coimbra, v. XI, p. 61-73, 2014. DOI: https://doi.org/10.14195/0870-4112_11_3

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ROSAS, Fernando. O salazarismo e o homem novo: ensaio sobre o Estado Novo e a questão do totalitarismo. Análise Social, v. XXXV, n. 157, p. 1031-1054, 2001.

SAID, Edward W. Cultura e imperialismo. São Paulo: Cia das Letras, 1995.

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Publiée

2026-01-11

Comment citer

Laks, D., & Oliveira, N. S. M. de. (2026). Le 25 avril et le choc des utopies dans le domaine culturel : réinterpréter le passé pour projeter l’avenir. Convergência Lusíada, 37(55), 171–184. https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n55a1419