Representación de género: un análisis comparativo de la narración Paiter Suruí "Las primeras mujeres" y el cuento "Leyenda de Namarói" de Mia Couto
DOI:
https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n56a1430Palabras clave:
Estudios de género, Literatura comparada, Literatura luso-afrobrasileñaResumen
Las narrativas cosmogónicas de la tradición oral son los mecanismos para transmitir los valores culturales de un pueblo, transmitidos de generación en generación; tanto las narrativas amerindias como las africanas comparten esta relación íntima, reservándose para ellas un tema que permite compararlas. En este contexto, este artículo propone un análisis comparativo de la intertextualidad temática que impregna dos narrativas de continentes tan distantes y, sin embargo, culturalmente análogos: el continente americano, con "Las primeras mujeres", una narrativa de autoría colectiva y tradición oral perteneciente al pueblo indígena brasileño Paiter Suruí, recopilada y traducida por Betty Mindlin en *Voces de origen*; y el continente africano, con el cuento "Leyenda de Namorói", de Mia Couto, en *Historias oníricas*, una narrativa inspirada en la tradición oral de los grupos étnicos del norte de Mozambique; con el fin de examinar cómo lo femenino y lo masculino se construyen simbólicamente en las dos narrativas cosmogónicas y su articulación como elemento determinante en las relaciones de género y la apropiación del espacio social. A partir de aportaciones de los estudios de género, el psicoanálisis y la mitología para reflexionar sobre cuestiones simbólicas en las narrativas cosmogónicas, el análisis muestra que la narrativa amerindia organiza el surgimiento de lo femenino de manera que reafirma una jerarquía sexual que estructura el orden social, mientras que el cuento mozambiqueño reinterpreta la tradición oral mediante cambios simbólicos que desafían el modelo falocéntrico. La lectura comparativa nos permite observar cómo narrativas con temas similares pueden operar con funciones ideológicas distintas, revelando el potencial crítico de la reescritura literaria de las cosmogonías tradicionales que forman parte del imaginario colectivo de los pueblos.
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