A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal

Autores

DOI:

https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n55a1397

Palavras-chave:

Capitalismo, Revolução, Socidade industrial, Narrativa saramaguiana, Representação

Resumo

Neste estudo, iremos refletir como José Saramago, sob uma perspectiva marxiana, representa o grupo de cegos protagonizado em Ensaio sobre a cegueira, cegos que passam a viver de uma forma cada vez mais instintiva, a se confundir muitas vezes com o meio de vida dos antigos nômades e caçadores-coletores. Em nossa leitura, trata-se essa estratégia de uma tentativa de Saramago representar não somente um momento regressivo fundamentado na “arracionalidade” humana, mas sobretudo um momento pós-revolucionário com base na noção de “comunidade espontânea” que Marx utiliza para pensar as esferas profissionais das famílias ou tribos pré-capitalistas. Com isso, veremos que a nova sociedade representada no final do romance se vê potencialmente livre das imposições do estado e do mercado, o que convida o leitor a uma retomada utópica a partir da gênese de um novo organismo representado pelo grupo de cegos, nos apontando, assim, para outras formas possíveis de se relacionar em sociedade.

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Biografia do Autor

Daniel Vecchio, Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) / FAPERJ

É Doutor em História pela Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), onde foi pesquisador do CNPq. Foi pesquisador de Pós-Doutorado em Letras Vernáculas-Estudos Literários pela Universida-de Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com bolsa da FAPERJ / Pós-Doutora-do Nota 10. Tem produzido teses e publicado artigos sobre a obra literária de José Saramago com base na pesquisa do espólio do escritor alocado na Biblioteca Nacional de Portugal e na Fundação José Saramago.

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Publicado

2026-01-11

Como Citar

Vecchio, D. (2026). A revolução não faltou ao ensaio: a cegueira branca e o risco do capitalismo atemporal. Convergência Lusíada, 37(55), 93–128. https://doi.org/10.37508/rcl.2026.n55a1397